São Paulo x Rosário – um dos jogos mais emocionantes que presenciei

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Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Por André Chuahy.

Salve, nação Tricolor.

Hoje, às vésperas da nossa estreia na Sulamericana contra o Rosário Central, resolvi recordar um dos jogos mais emociantes que presenciei in loco.

12 de maio de 2004. Fazia frio no Morumbi. Era o segundo duelo das oitavas de final da Libertadores. Na primeira fase o São Paulo, do então técnico Cuca, havia feito a segunda melhor campanha no geral. Já o Rosário, havia sido o quarto melhor segundo colocado.

Mesmo com a diferença técnica, o Rosário fez frente ao São Paulo no primeiro jogo. Aproveitando a expulsão do volante Fábio Simplício, os argentinos venceram por 1×0.

Na volta, o São Paulo precisaria de uma vitória simples para levar a decisão para as penalidades máximas ou vencer por dois gols de diferença e levar a classificação no tempo normal.

Sem companhia, fui sozinho para o jogo. Na época não havia venda de ingressos pela internet e só conseguíamos comprar após enfrentar horas e mais horas de fila. Mas eu estava lá, confiante em um bom jogo.

A primeira pancada veio logo no início do jogo, logo aos seis minutos. Uma bola perdida no meio de campo, um bote errado na zaga e o Rosário saía na frente do marcador. Agora precisaríamos virar o marcador.

O São Paulo foi pra cima e aos vinte e dois minutos, o respiro. Pênalti para o São Paulo e a chance de trazermos de volta o jogo para o nosso lado. Luis Fabiano na bola, batida no canto direito do goleiro e…. DEFESA! No rebote, o goleiro Gaona defendeu novo chute de Luis Fabiano. A segunda pancada. O clima no estádio era um misto de inúmeras sensações. Queríamos apoiar e acreditar, mas estávamos fracos demais. Queríamos duvidar, mas não era hora.

O nosso primeiro golpe veio nos acréscimos do primeiro tempo. Uma bola levantada na área. Alta, quase na linha de fundo. O que parecia um lance que daria errado, virou uma bola ajeitada para trás e um tiro de cabeça de Grafite. 1×1 e o estádio explodiu.

Logo o juiz apitou o final do primeiro tempo, mas o São Paulo não desceu para o vestiário. Cuca manteve a equipe no gramado, para sentir a energia maravilhosa da arquibancada.

O jogo seguiu tenso até os trinta e um do segundo tempo. Luis Fabiano recebeu levantamento na área, ajeitou, girou e finalizou. O goleiro Gaona deu rebote. Grafite foi na bola, o zagueiro do Rosário foi para a bola, o goleiro Gaona foi para a bola. O zagueiro tentou proteger para a chegada do goleiro. Antes dele, Grafite tocou a bola. A bola ainda tocou no pé do goleiro e duas vezes em Grafite, antes de entrar devagar, mansa. Vi o lance na minha frente. Aquele lance parece ter levado uma eternidade. Aquela disputa se passou em câmera lenta, até a bola entrar caprichosa no gol e a arquibancada explodir novamente. A virada! Finalmente a virada!

O jogo foi para os pênaltis.

Cicinho abriu as cobranças… Defesa de Gaona.
O primeiro pênalti do Rosário foi um tiro. Rogério sequer se moveu. Uma bola violentíssima que chegou a tocar no travessão e morreu no fundo do gol. 0x1.

Grafite foi o segundo e fez o dele. O Rosário também. 1×2.

Luis Fabiano foi o terceiro e optou por bater no mesmo canto que havia perdido no primeiro tempo. Dessa vez a história foi diferente e a bola entrou no cantinho, rasteira. Porém, o Rosário seguiu com 100% e se manteve líder do placar. 2×3.

Fabão veio para a bola e fuzilou o gol. Mas a vantagem do Rosário se manteve. 3×4.

Era então o último pênalti para o São Paulo. Rogério pegou a bola, concentrado. Não podia errar. Bola forte, próxima ao meio do gol e o placar estava empatado. Rogério pegou a bola e entregou para o goleiro Gaona, que seria o responsável pela última cobrança argentina. Ao entregar a bola, Rogério o provocou. Disse que ele também bateria forte e no meio. Os apupos do Morumbi soavam em uníssono. Gaona foi para a bola e não bateu como Rogério havia dito. Rogério tampouco arriscou o que havia dito para Gaona. Rogério voou para seu canto direito, segurando a pífia cobrança do goleiro do Rosário.

Era a última bola. Mas de um lado havia um goleiro que sequer sabia bater na bola, do outro, um MITO! Placar empatado em 4×4 e o Morumbi destroçando o psicológico dos jogadores argentinos.

O lateral Gabriel foi o encarregado da sexta cobrança tricolor. Longa distância e uma batida forte, no canto esquerdo do goleiro que nem viu a bola. O Rosário precisava fazer para seguir na briga. Mas amigo, aquela bola nunca entraria. Qualquer um que fosse naquela bola, perderia aquele pênalti. O Morumbi não permitiria. O MITO NÃO PERMITIRIA!

Bola no canto esquerdo de Rogério, que voou para espalmar e correu batendo no peito. Batendo naquele escudo que o consagrou e o qual ele também consagrou.

Era somente um jogo de oitavas de final, mas o clima era de final. Os jogadores choravam em campo, a torcida chorava nas arquibancadas e a comemoração era como a de um título.

Obviamente que não se compara em importância, mas vibrei muito mais nessa partida, do que nos 4×0 contra o Atlético-PR, na final do ano seguinte. Vibrações diferentes. Ver  no estádio meu time ser campeão da Libertadores é algo que nunca esquecerei. Vi outros títulos, vi goleadas, vi jogos tensos e viradas incríveis. Mas esse jogo contra o Rosário, é praticamente insuperável em emoção.

E é isso. Os tempos são outros, a competição é outra, mas o coração segue cada vez mais apaixonado pelo São Paulo Futebol Clube.

Aquele abraço e VAMOS SÃO PAULO!

 

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