Profissão: jogador de futebol

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Foto: Marcelo Hazan

Por @andrechuahy.

Salve, nação tricolor.

Hoje ainda é domingo. O São Paulo não jogou contra o RBB, Diego Aguirre não foi anunciado oficialmente e nem chegou a hora da macarronada na casa da avó. Mas já estou escrevendo a coluna dessa terça-feira, dia em que você a está lendo.

Estou me antecipando por causa de uma publicação da torcida organizada, onde eles dizem que o “salário está em dia e a surra atrasada”.

A frase por si só já é absurda. Mas isso levanta um questionamento um pouco maior sobre a profissão de jogador.

Se engana quem acha que a profissão de jogador é como qualquer outra. Você, em seu trabalho, também tem sua pressão por resultados, por entregar um trabalho de qualidade e por respeitar a empresa que você representa. A pressão feita por seu chefe, por seu supervisor e por seu próprio caráter. O jogador é pressionado diariamente por milhões de pessoas que sequer conhecem o seu dia a dia.

Certamente você já teve um dia merda. Um dia no qual você não rendeu o que podia, ou que simplesmente não estava a fim, apesar de seu salário estar em dia. Você já teve seu dia de dar “migué”, o seu dia de ligar para o chefe e fingir estar doente para faltar, o seu dia de tacar o foda-se. Alguém te agrediu por isso? Algum cliente invadiu seu espaço de trabalho para enfiar o dedo na sua cara?

Certamente você trocaria (se já não trocou) de emprego, por uma proposta de trabalho melhor financeiramente, ou com melhores possibilidades de crescimento. Você provavelmente até já foi fazer alguma entrevista no horário no qual você deveria estar trabalhando. Alguém o chamou de mercenário por isso?

Após o seu dia de merda, você sai tranquilamente do seu trabalho. Pega o carro, o ônibus, o jegue, ou o que quer que seja e vai para sua casa sem ninguém te encher o saco ou apedrejar seu carro. Ou vai passear no shopping, sem qualquer infeliz vir te xingar ou querer mandar na sua vida.

Certamente você já teve um dia extremamente tenso no trabalho. Possivelmente por um fechamento de metas, pela necessidade de produzir sem falhas ou pela pressão de um iminente corte de funcionários. E, ao sair de lá, você resolveu ir para o bar com seus amigos, para dar aquela relaxada. Alguém tirou fotos de você e mandou para o chefe dizendo “a pressão para vender está enorme e ele está no bar após o trabalho”?

Certamente você já se sentiu desmotivado. Repito: mesmo com salário em dia, convênio médico, vale-refeição, vale-alimentação, etc. E é normal um funcionário desmotivado não conseguir produzir o seu melhor, apesar de sua capacidade.

Por outro lado, você já deve ter sido prejudicado por algum serviço mal prestado. Seja por uma comida fria no restaurante, um serviço contratado que não foi bem feito, um atendimento que não te ajudou no que precisava. Certamente você não prometeu uma surra no funcionário. Às vezes você até sentou-se ao seu lado no metrô, sem saber de quem se tratava.

“Mas o futebol envolve paixão”! Sim. Outras coisas envolvem muito mais do que a paixão. Tipo o seu carro quebrar por um serviço errado do mecânico, ou sua internet, que você usa para trabalhar, ser desligada por um erro do atendente.

“Mas o jogador representa milhões de torcedores”! Quantas pessoas você já prejudicou direta ou indiretamente por um serviço feito “nas coxas”?

Não acho que eles possam desrespeitar o torcedor (cliente) ou o clube (empresa que paga seu salário). Obviamente eles tem que dar o seu melhor, assim como você e qualquer outra pessoa deve fazer em seu trabalho.

Obviamente, assim como já fiz com atendimentos e serviços péssimos e desrespeitosos,  já me irritei e xinguei jogadores e treinadores por um desempenho ridículo e certamente o farei de novo, em ambos os casos.

Mas, assim como você não aceitaria que alguém te prometesse uma surra por um trabalho mal feito, não faça o mesmo. Se coloque no seu lugar.

E quando você pensar em dizer que a profissão de jogador de futebol é como qualquer outra, saiba que não é. Para o bem e para o mal.

Aquele abraço e VAMOS SÃO PAULO!

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